segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Considerações sobre a viagem: Números



Apesar de entender que esta mesma viagem em condições favoráveis poderia ser feita tranqüilamente em cerca de 22 a 25 dias com chegada de moto em minha residência. A viagem do Rio de Janeiro – Brasil até Ushuaia – Argentina, ida e volta, me tomou um total de 34 dias, sendo que boa parte destes convivendo com chuvas e frio. No meu projeto, identifiquei em minha pesquisa e preparação por cerca de 2 anos, que o mês de setembro, final do inverno, seria o mais indicado para a viagem, pois, os índices pluviométricos são baixos e os ventos, apesar de fortes, o são bem menos que na primavera e verão, no entanto, este mês de setembro foi atípico e convivi com muita chuva, o que os próprios argentinos, nas cidades pelas quais passei, diziam não ser normal nesta época do ano, onde normalmente chove pouquíssimo.
Eu optei por não almoçar durante a viagem, isto levando em conta as enormes distâncias percorridas, a imensidão do vazio que tornaria difícil encontrar restaurantes, com boa comida e aparência, na estrada e se mesmo assim resolvesse parar para almoçar, estaria perdendo um tempo precioso e poderia ter sonolência após o almoço, estando de barriga cheia, o que não seria interessante para continuar pilotando a moto. No lugar do almoço levei três caixas de barras de cereais e dois pacotes de bananada com cinqüenta unidades cada, para serem consumidas com moderação durante cada parada após a manhã. No total, almocei somente 9 vezes, incluindo o almoço em casa com minha mulher no dia da partida.
O jantar sempre ocorreu em bons restaurantes nas cidades nas quais me hospedava, no entanto, ocorreu de às vezes não conseguir chegar ao meu destino e ficar em um hotel no meio da estrada, no meio do nada, sem opções boas para jantar ou então, de enfrentar forte chuva ou frio que tornasse por demais doloroso sair para ir a um restaurante. No total, jantei 23 vezes e destes, em 10 jantares optei por nhoque. Na maioria dos jantares escolhi um vinho para acompanhar, totalizando 20 garrafas de vinho.
Ocorreram dias, no entanto, em que me vi impedido de almoçar e jantar, tendo de passar somente com as barras de cereais e bananadas em virtude das circunstâncias. No total, tive 7 dias sem almoço ou janta.
Sempre escolhi hotéis de excelente padrão dentro da região na qual estava. Hospedei-me em hotéis durante toda a viagem, salvo raríssimas exceções, como a vez em que dormi em um sítio ou mesmo dentro da cabina de um caminhão. Sendo que em um hotel paguei uma diária sem dormir, pois, saí à tarde, após o horário para o encerramento da diária, tivemos nesta viagem um total de 33 diárias em hotéis.
Tirei várias fotos e as coloquei no blog conjuntamente com mapas do percurso e algumas fotos obtidas na Internet do lugar onde me hospedei ou comi. Excluindo os mapas, tivemos um total de 516 fotos, todas presentes em nosso blog. Além destas, há mais algumas que foram tiradas com a máquina de minha mulher quando estivemos juntos em Buenos Aires e que não constam do blog até a presente data.
Nesta viagem levei cartões de crédito e débito, mas não os usei na Argentina ou Chile, somente no Brasil. Levei também Reais e Dólares e troquei durante toda a viagem, mas o melhor câmbio, com certeza, se dá na cidade de Buenos Aires, no Centro, mais exatamente na rua Florida e adjacências. Convertendo todos os gastos em Reais e somando com as despesas dos cartões, do transporte por caminhão e cegonha da moto, das hospedagens nos diversos hotéis, dos almoços e jantares, das lembranças, da revisão da moto na concessionária HD de Buenos Aires, da bateria e do pneu da moto, enfim, de todos os gastos gerados pela viagem nestes 34 dias, obtive um valor que considero bem pequeno em virtude do tempo e gastos desta viagem. No total gastei pouco mais de R$12.800,00, o que da cerca de R$377,00 por dia de viagem.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Dia 34: Faxinal dos Guedes - Santa Catarina - Brasil, encerramento da viagem e aventura até o fim do mundo



Trigésimo quarto dia: Faxinal dos Guedes – Santa Catarina
Décimo quinto dia da volta ao lar.

29 de setembro de 2014 – Segunda-feira
Total até agora = 11.897,2 Km
Total hoje = 0 Km

Chuvas fortes e torrenciais durante todo o dia, chegou mesmo a ter neblina durante a parte da manhã. Continuei hospedado no hotel, onde também almocei. No final da manhã e debaixo de chuva, dei uma caminhada pela cidade e comprei uma bolsa que me permita colocar o notebook, bem como estive na rodoviária, em frente ao hotel, vendo horários de ônibus. Também passei a verificar a possibilidade de um transporte até Curitiba ou Rio de Janeiro. Soube que a concessionária HD no Rio de Janeiro tem o pneu e este vai me sair por cerca de 1.200 Reais. Minha mulher está me ajudando com os contatos no Rio de Janeiro e eu estou isolado aqui, pois, nem sequer a Internet funciona e meu telefone com chip Tim apresentou defeito, deixando de funcionar. Ainda consigo manter contato com o Rio por meio de outro aparelho e linha.
A previsão do tempo não é boa para toda a semana e não tenho perspectivas de sair daqui. O pneu traseiro necessita ser trocado e a viagem torna-se altamente perigosa com o pneu liso como está. Me informaram que a estrada a frente, em direção a Curitiba, continua fechada por causa do desabamento e com desvio, conforme já narrei na ida, há cerca de um mês. Estou buscando alternativas para prosseguir até o Rio de Janeiro, mas nada é animador. Pelo menos, consegui chegar ao meu destino, em Ushuaia e retornar até solo pátrio sem qualquer tipo de acidente grave que comprometesse a mim ou minha moto, de fato, até aqui a viagem foi um enorme sucesso, pena que esteja com este problema com o pneu. Creio que teria feito esta viagem completa, ida e volta do Rio de Janeiro até Ushuaia, em pouco mais de 20 ou 22 dias, no máximo 25, com uma economia de pelo menos 10 dias, não fossem as sucessivas paradas por causa das chuvas que enfrentei durante todo o percurso da viagem. Também perdi tempo ao rodar muitos quilómetros a mais nos dois primeiros dias ao entrar na Argentina em virtude de ficar sem o GPS, de ainda não ter o mapa rodoviário da Argentina e de as pessoas a quem perguntei a direção me informarem um caminho mais longo e totalmente desnecessário, retornando ao Brasil pelo Paraná, totalmente em sentido oposto ao que deveria ir.
A previsão do tempo é de chuvas em toda a região até quinta-feira, sendo que esta viagem foi programada para ocorrer em setembro, mês no qual estou de férias, devendo retornar as atividades de trabalho nesta quarta-feira, primeiro de outubro e sendo que no domingo, 5 de outubro temos no Brasil as eleições para presidente, senador, deputado federal e deputado estadual e eu tenho meus deveres como cidadão brasileiro.
Temos também que com o pneu traseiro completamente liso, está muito perigoso continuar a viagem e a perspectiva de troca neste momento se dá somente na concessionária HD do Rio de Janeiro.

ENCERRAMENTO DA VIAGEM E AVENTURA ATÉ O FIM DO MUNDO

Tomei a decisão de encerrar hoje esta aventura. Contratei um caminhão para me levar durante a noite e madrugada até Curitiba e lá contratei uma empresa transportadora para levar em cegonha minha moto até o Rio de Janeiro, deixando-a na concessionária HD, onde ficou acertado que esta receberia a minha moto e trocaria o pneu traseiro. Os contatos com a transportadora e também com a concessionaria HD no Rio de Janeiro foram feitos por intermédio de minha mulher no Rio de Janeiro.
Viajar de caminhão durante a noite e madrugada foi outra aventura, no caminho fui conversando com o motorista, cujo apelido é Ratinho e o nome é Dirceu. Na terça-feira pela manhã chegamos em Curitiba e fomos até Colombo, onde deixamos a moto para ser embarcada a noite na cegonha que estava chegando proveniente de Gravataí, Rio Grande do Sul. Tendo resolvido o assunto da moto, embarquei para o Rio de Janeiro.











segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Dia 33: Gramado dos Loureiros - Rio Grande do Sul, Faxinal dos Guedes - Santa Catarina



Trigésimo terceiro dia: Saí de Gramado dos Loureiros – Brasil – Rio Grande do Sul, por volta de 8:30h. e cheguei a Faxinal dos Guedes – Santa Catarina por volta de 10:30h.
Décimo quarto dia da volta ao lar.

28 de setembro de 2014 – Domingo
Total até agora = 11.897,2 Km
Total hoje = 121,8 Km

Após me despedir dos irmãos Admir, Luis, Marta, e de sua mãe Verônica, bem como do rapaz que trabalha para a família no restaurante, segui viagem, passei por Chapecó e segui em direção a Curitiba, no entanto, apesar da esperança em que a chuva passasse após descer a serra, esta só aumentava. Parei em um posto de combustível e telefonei para minha família no Rio de Janeiro para saber da previsão do tempo para a região e esta não foi nada, nada animadora, desta forma, resolvi, já bem molhado e com frio, ficar no local.
Me hospedei no hotel e restaurante Alimentar, Rodovia BR 282, Km 491, Faxinal dos Guedes, Santa Catarina. O local foi comprado pelo vice-prefeito da cidade e a família que administra o local o faz a cerca de 90 dias, permanecendo o hotel ainda com o nome anterior do lado de fora, Hotel Rede. Durante o transcorre do dia a chuva só aumentava, teve mesmo muitos trovões para musicalizar a situação chuvosa pela qual eu passava. Como faço em todas as paradas, verifiquei a moto e a situação dos pneus. O pneu dianteiro continua bom, mas o traseiro, se já estava liso em Buenos Aires, após toda esta quilometragem rodada está totalmente liso e não vejo condições de chegar com a moto até o Rio de Janeiro, terei de resolver a situação em Curitiba, isto se o pneu traseiro assim o permitir. Em Buenos Aires eu havia encaminhado dois e-mails para concessionárias HD em Curitiba e São Paulo. A de São Paulo não me respondeu e a de Curitiba disse-me que teria o pneu em 20 dias, mas não disponho de todo este tempo. Para uma próxima viagem longa de moto, tenho de verificar um jeito de garantir pelo menos a troca de um pneu após cerca de 7 a 10 mil quilómetros rodados, no momento não tenho ideia de como o fazer, mas deve haver um jeito de programar tal situação.
Fiquei o dia todo no hotel e estava chovendo muito, mas muito mesmo. Por volta de 23 horas a chuva parou, trazendo-me a esperança de poder retornar a viagem amanhã, mas as 4 horas da madrugada a chuva recomeçou com tudo que tem direito, muita água, trovões, relâmpagos e raios que se seguiram por todo o dia.







Dia 32: Paso de los Libres - Argentina, Gramado dos Loureiros - Brasil - Rio Grande do Sul



Trigésimo segundo dia: Saí de Paso de dos Libres – Argentina, por volta de 8:05h. e cheguei a Gramado dos Loureiros – Brasil - Rio Grande do Sul por volta de 19:30h.
Décimo terceiro dia da volta ao lar.

27 de setembro de 2014 – Sábado
Total até agora = 11.775,4 Km
Total hoje = 692,2 Km

Estava um dia de sol muito bonito como deve ser para todo o motociclista na estrada, ontem, então, foi belíssimo o dia. Entrei no Brasil pela aduana / imigração de Uruguaiana e ao chegar do lado brasileiro, cambiei com um brasileiro da Receita Federal 1.000 pesos por 160 Reais. Ainda me sobraram algumas moedas e notas de peso, mas o maior já se foi. Segui por dentro em direção a Curitiba, tendo como idéia principal passar a noite em Chapecó, Santa Catarina. No decorrer do percurso comecei a ver nuvens carregadas quilómetros a frente e conforme o dia ia se encerrando, as nuvens ameaçavam chuvas pela frente.
Meu GPS me direcionou para um caminho no qual a ponte havia desabado ou estava interditada. De onde estava até Chapecó seriam, segundo informações de um frentista de posto de combustível na cidade, cerca de 130 quilómetros de asfalto, mas sem a ponte, passaria a ter de usar estrada de terra ou barca, logo, fiz a opção de retornar até a cidade de Samedi, de onde prossegui para Chapecó. Segundo o frentista, fora os quilómetros do retorno, de Samedi teria mais de 200 quilómetros até Chapecó.
Peguei forte trânsito com muitos caminhões e uma estrada toda esburacada ou com fortes desníveis no asfalto da pista, que mais de uma vez incomodou minha poderosa Harley, batendo de encontro aos seus pneus.
Durante o percurso escureceu e começou a chover fraco, só que eu não estava trajando as calças da capa de chuva e também não usava a capa por sobre as botas. A certa altura, subindo a serra a noite e faltando cerca de 70 quilómetros para chegar a Chapecó, vi que não havia mais como prosseguir com segurança e aproveitei três bares restaurantes na estrada para parar e saber se havia algum hotel no local. Fui informado que somente 20 quilómetros para trás, no centro da cidade de cerca de 2.000 habitantes ou 70 quilómetros para a frente, já em Chapecó. Falei com o proprietário do estabelecimento e este concordou em me ajudar, permitindo que eu passasse a noite no local.
Jantei ali mesmo, no Restaurante e Pizzaria Quartetto, encruzilhada dos Ribeiros, Gramado dos Loureiros, Rio Grande do Sul. O restaurante é administrado por uma família, Eles pegaram o contrato para administrar a loja há cerca de 4 meses. São três irmãos, o Ademir, o Luis e a Marta que conjuntamente com sua mãe, Verônica, cuidam de bem atender a clientela no local. Quando cheguei, por volta de 19:30h., estava vazio e fui o primeiro a entrar no grande estabelecimento, mas logo a seguir a casa lotou e do lado de fora ficaram muitos e muitos carros estacionados, dividindo espaço com minha Harley-Davidson. Hoje é dia de rodízio de pizza. O rodízio começou com a casa cheia e após todos comerem até se fartarem, incluso eu mesmo, foi a vez dos músicos. Primeiro as pessoas escutavam em suas mesas, depois os donos do restaurante afastaram as mesas e os casais foram ocupar o espaço dançando. A festa durou bem até 1:30h. da manhã, quando os últimos clientes saíram.
Colocamos a moto dentro do estabelecimento, no salão do restaurante, e fomos todos de carro para o sítio da família, há cerca de uns 5 quilómetros dali, onde me cederam um quarto e cama e passei confortavelmente a noite. Pela manhã, ainda me serviram uma bela refeição do campo: café com leite e ovos estalados sobre uma enorme fatia de pão. Estava muito gostoso.
Nada me cobraram, paguei somente o rodízio de pizza e a coca de 2 litros que pedi, o normal para qualquer um que fosse somente comer e curtir o ambiente. Pela manhã retornamos de carro ao restaurante, peguei minha moto e por volta de 8:15h. peguei a estrada. Choveu muito e forte durante a noite, mas quando acordamos não estava chovendo, a chuva recomeçou, no entanto, no exato momento em que me sentei na moto para dar a partida.
Sou muito grato ao carinho e ajuda desta família, pois, prosseguir viagem a noite, subindo serra, por estradas desconhecidas, com chuvas, trânsito pesado de caminhões e eu sem enxergar direito em uma estrada toda ruim e esburacada era de fato muito perigoso.


sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Dia 31: Buenos Aires - Argentina, Paso de los Libres - Argentina



Trigésimo primeiro dia: Saí de Buenos Aires – Argentina, por volta de 8:40h. e cheguei a Paso de dos Libres – Argentina por volta de 17:20h.
Décimo segundo dia da volta ao lar.

26 de setembro de 2014 – Sexta-feira
Total até agora = 11.083,2 Km
Total hoje = 695 Km

Minha mulher, Márcia Cristina, levantou às 3 horas e às 4 horas da manhã pegou o táxi que já lhe aguardava no hotel em direção ao aeroporto mais longe, cerca de 40 quilómetros do Centro a um custo previamente acertado na recepção do hotel de 370 pesos. Retornou ao Rio de Janeiro pelo voo das 6:30h. Quanto a mim, voltei a dormir e acordei as 7:00h. quando então me arrumei, lanchei, acertei a conta no hotel e amarrei as coisas na moto. Após me informar detalhadamente na recepção sobre qual o melhor trajeto a fazer para sair de Buenos Aires em direção a estrada rumo à fronteira com Uruguaiana, no Brasil, abasteci a moto e saí para minha jornada de hoje.
O dia estava bonito, sol, boa estrada, foi tudo muito tranquilo. Ao chegar, me hospedei no hotel Alejandro 1º, rua Coronel López, 502, Paso de los Libres, Corrientes. Após me hospedar, caminhei pelas ruas do centro para conhecer melhor a cidade e seu comércio, aproveitando a última hora de luz solar. Jantei no hotel um prato a base de bife de chourizo, sendo esta a terceira vez em que experimento o chourizo argentino, a primeira foi em Bahia Blanca no retorno, a segunda em Buenos Aires e agora esta. Eu gostei muito, quando um dia voltar a Argentina experimento novamente. O jantar estava ótimo e espetacular, saciando minha fome e apetite por coisas boas e saborosas como a vida deve ser.